Patrimônio avareense: a feira da Paranapanema e seus personagens
Desde o início dos anos 80 a tradicional feira faz a alegria de seus frequentadores; local é ponto de encontro dos avareenses, e reúne histórias de gente que trabalha e acredita no que faz
Da Redação
Avaré comemora 155 anos de história e dentro de sua longa trajetória carrega peculiaridades que até hoje fazem parte do dia a dia dos avareenses. Exemplo disso é a tradicional feira de hortifruti realizada na Avenida Paranapanema, realizada todos os domingos.
Instalada no local desde o início dos anos 80, a feira começou pequena, com apenas 5 barracas, conforme conta o feirante Matheus Augusto. Ele é considerado um dos pioneiros do local, pois atua há mais de 50 anos como feirante. “Quando eu comecei tinha no máximo umas cinco barracas de hortifruti, hoje cresceu muito, mas eu continuo aqui firme e forte todos os domingos”, garante.
E como a feira cresceu: hoje é um verdadeiro evento, ocupando várias quadras da avenida, indo além da venda de legumes, frutas e verduras: no local, em meio a um grande movimento, é possível encontrar barracas para todos os gostos, desde CDs de músicas e jogos, eletroeletrônicos até peças de roupas.
Em um domingo chuvoso, a equipe de reportagem da Comarca visitou a feira, onde conversou com freqüentadores e feirantes, como dona Carmem Paixão, que tem uma barraca há 28 anos. Todo domingo ela chega antes do sol nascer para montar sua barraca. “A gente chega bem cedinho para arrumar tudo e mesmo acordando tão cedo no domingo, o bom humor para atender os clientes é o principal ingrediente para vender bem e conquistá-los”, ressaltou.
PROCEDÊNCIA – Além do enorme fluxo de pessoas, diante da diversidade de produtos, o que mais cativa no mercado a céu aberto é a simplicidade e interação entre os feirantes, visitantes e consumidores. O gerente de uma loja de tintas Ronaldo Fazio é cliente da barraca de dona Carmem há 5 anos e garante que o bom humor dos feirantes muda tudo “A feira por si só já em um ambiente agradável, mas a boa relação com os feirantes é de suma importância. Sou cliente da dona Carmem há anos e tenho certeza que as verduras dela são de boa procedência”.
A barraca de dona Carmem oferece diversas verduras orgânicas e já virou tradição familiar, “Hoje meus 3 filhos trabalham comigo. Nossos produtos são todos orgânicos, plantados e colhidos em nosso sítio. Depois de tanto tempo nesse ramo vários clientes já viraram amigos particulares”.
Na feira não vai só quem tem interesse em abastecer a geladeira: como não podia deixar de ser, muitos aproveitam a ida ao local para saborear os deliciosos pastéis, entre outros salgados, que fazem a alegria dos apreciadores de uma boa comida de rua.
PASTEL FAMOSO – Um dos mais conhecidos é o seu Natalino Gagliotti, que há 6 anos comanda uma das mais conhecidas barracas de pastel da feira. Ele, que vendeu hortifruti por 15 anos, mudou de ramo após uma grande perda de sua produção, o que forçou a investir nessa nova atividade. Como todos os demais, ele também madruga para abrir sua barraca, chegando sempre por volta das 4 da manhã. Ele garante que o segredo do bom feirante é a simpatia e o sorriso no rosto. O sucesso de sua receita também é ingrediente para fazer o negócio andar bem – massa sempre fresquinha e bom tempero dos ingredientes. “Quando eu saio de casa deixo todos os meus problemas lá. Aqui converso com meus clientes, brinco, dou risada e sempre digo que o cliente é que tem razão”.
Com o passar do tempo o conceito de feira se expandiu e atualmente são encontrados diversos tipos de mercadorias com preços mais baixos, como é o caso da Karina Muniz, feirante há 6 anos. Ela começou vendendo bijuterias e hoje vende roupas, calçados, brinquedos e utilidades domésticas. “Para vender hortifruti eu precisaria ter um sítio, mas como não tenho, vendo várias mercadorias que são muito úteis para as pessoas no dia a dia e que muitas não podem ter acesso em uma loja”.
CONTROLE – O responsável pela fiscalização da feira da Avenida Paranapanema, Flávio Denardi, ressaltou que o local expandiu muito em quantidade e qualidade – e que mesmo com tantos avanços, a essência da tradicional feira ainda é mantida.
Segundo ele, para abrir uma barraca é preciso ter registro próprio, e seguir as normas da legislação municipal, além do recolhimento de taxas. “São critérios já definidos para manter a qualidade do lugar, servindo inclusive para controlar e garantir o funcionamento adequado e possibilitar uma boa fiscalização”, explica. Mas ele revela que o clima de amizade entre os feirantes e o setor da Prefeitura é o que prevalece: “Muitos estão lá há vários anos, e a gente mantém uma ótima relação com todos. Hoje já não se vende só hortifruti, mas o aspecto cultural da tradição, como várias barracas aglomeradas, a pechincha, o vai e vem de pessoas, isso permanece. A feira virou um grande ponto de encontro dos avareenses”, resume.

