AcontecendoEnxugar a máquina pública e abrir bom diálogo com servidores é meta de Marcelo Ortega

A Comarca16 de setembro de 201619 min

Enxugar a máquina pública e abrir bom diálogo com servidores é meta de Marcelo Ortega

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Da Redação

 

Prefeitura não é um lugar estranho para Marcelo Ortega. Ele, que já ocupou a titularidade das pastas de Cultura, Comunicação e de Governo, afirma que tem se debruçado nos últimos meses para estudar os problemas do Executivo Municipal. “A forma de administrar mudou muito nos últimos anos. Hoje a parte financeira é fundamental dentro da gestão pública. E é nesse sentido que precisamos fazer com que o município evolua”, acredita.

Nascido em 30 de setembro de 1977, Ortega é casado e tem um filho, além de “outro a caminho”. Formado em Direito, se diz um apaixonado pela política (“mas pela boa política”, diz) e está em seu segundo mandato de vereador.

 

Ele já disputou candidatura a deputado federal na última eleição, onde obteve expressiva votação em Avaré. Caso seja eleito, afirma que é preciso ter uma boa via de diálogo com os servidores (“são a espinha dorsal de qualquer governo”), além de estabelecer um plano de cortes e metas na área financeira do município.

 

Mas, e o que o move no desafio de enfrentar uma eleição a prefeito? “Avaré tem um potencial muito grande em belezas naturais, e é bem localizada geograficamente. Acredito que a boa política, aplicada a boas práticas de gestão, é capaz de resultar em melhor qualidade de vida para a nossa população. E é por isso que lancei meu nome para a Prefeitura de Avaré”.

A Comarca: Dentro do atual cenário financeiro que Avaré se encontra, o que você acha que deve ser feito para resolver ou sanar os problemas financeiros da cidade?

 

Marcelo Ortega: Nossa proposta de governo parte da realidade econômica de Avaré. Nós estudamos os orçamentos oficiais e, se a gente economizar 2,5 % do custeio da máquina pública, você enxuga R$ 8 milhões por ano. Tem vários setores em que é possível cortar com rigor, cortar gastos que são desperdícios hoje. Aí você tem capital, tem um caixa para investir no que é prioridade pública, como a parte urbana de buracos, mato alto e lixo, nos quais existem muitas reclamações. Vamos também trabalhar para oferecer condições para o nosso servidor municipal ter maior desempenho salarial funcional.

 

AC: A saúde pública é apontada pelo eleitor como um dos setores mais delicados da administração. Ou seja, a saúde hoje é o principal problema da Prefeitura e se gasta muito com esse setor. O que você acha que pode ser feito no sentido de reduzir os gastos e melhorar a qualidade do atendimento de saúde para a população?

MO: Para esse ano estão previstos no orçamento R$ 80 milhões para a Saúde. Vamos informatizar a Saúde inteira em 6 meses, essa é uma meta de governo. Com isso, você tem uma visão melhor e mais apurada da saúde, com dados, informações ao vivo em tempo real. Nós vamos tentar buscar apoio da região, porque Avaré sozinha mantém o Pronto Socorro, as cidades da região usam, mas não colaboram com nada. Vamos buscar apoio dos prefeitos da região, tem que ter um diálogo, e contratar 10 médicos especialistas em janeiro para atender a população. Os médicos hoje ganham muito pouco na Prefeitura, temos que rever também as condições de salário e comprar remédios com planejamento.

 

AC: O atual governo tem várias obras inacabadas dessa gestão e da gestão anterior. A sua administração vai priorizar o término dessas obras ou vai também trabalhar em torno de novas obras?

MO: Na primeira semana de janeiro, como prefeito eu quero criar uma assessoria especial para fiscalizar as obras. A gente vai concluir as obras que já estão em andamento e também iniciar obras em nosso governo. Nós vamos criar uma comissão especial no Paço Municipal para cobrar resultados das empreiteiras, para que as obras não parem. A gente vai evitar que as obras sejam paralisadas e buscar todo aparato da Prefeitura para concluir as que estão em andamento, além de iniciar novas obras.

 

AC: Com relação ao funcionalismo, Avaré tem um investimento muito grande na folha de pagamento dos funcionários e um déficit também enorme em relação ao Avaré Prev. Porém, alega-se que é preciso contratar mais servidores. Diante disso, qual é a saída: manter a política de mais contratações, exigir mais do quadro de funcionários ou partir para terceirização?

 

MO: Vou ser um prefeito parceiro dos servidores, criando no Paço Municipal um gabinete para os servidores, para ter uma relação muito próxima com o servidor. Avaré deve R$ 650 mil até 2019 de reparcelamento para o Avareprev, fora o patronal, e também o valor corrente que é dos servidores municipais. É realmente uma dívida muito alta. Você está impedido de fazer reajustes consideráveis para o servidor, não tem condições financeiras pra isso. Também a folha chega a 54% do teto do orçamento, nós não temos mais como chamar ninguém. Talvez tenhamos que terceirizar, isso também vai gerar empregos… Então nós vamos preservar um diálogo do que é necessário para o servidor e também de contratar o que for necessário.

 

AC: Existe uma reclamação muito grande em relação à infraestrutura da cidade. Diante de uma Prefeitura com déficit mensal, ou seja, que acaba gastando mais do que arrecada, você acha que é possível atender a demanda que o cidadão tem por um atendimento de qualidade na infraestrutura da cidade?

MO: É possível, cortando despesas como informa o nosso plano econômico. A nossa ideia é mudar a forma de governar em relação à gestão urbana na cidade. Tem uma Garagem Municipal que há mais de 20 anos é a mesma, os mesmos setores de departamentos, não mudou nada lá. Nossa ideia é dividir a cidade em 4 regiões, colocar um fiscal em cada região. A gente vai usar um aplicativo que é de graça na verdade, vai tirar uma foto vinculada ao GPS para a Garagem Municipal, que vai receber na central a informação e processar e pedir para que a equipe realize em curto prazo o serviço naquele local. Hoje nós não temos organização, então temos que aliar a tecnologia à gestão pública. Vamos também comprar uma mini-usina de asfalto, cidades menores que Avaré já têm e funciona muito bem. Aliando tecnologia à gestão pública a gente consegue resolver de forma mais rápida os buracos, mato alto e lixo.

 

AC: Você acredita que a fábrica de lajotas seria uma alternativa válida?

MO: Foi iniciado o trabalho de lajotas e paralisou. Temos que continuar. Barra Grande, por exemplo, é um bairro que precisa de lajotas, duas ruas arrumadas já resolvem o problema de enchentes que tem lá. Então tem que fabricar as lajotas com mais quantidade e dar conta do recado. Você corta dinheiro do Parque de Exposições, pois hoje o gasto lá é de R$ 1,5 milhão por ano. É um custo muito alto. Quem usa tem que pagar pelo uso, então defendo que se terceirize o Parque de Exposições.

 

AC: Qual sua proposta para Camping?

MO: O camping também queremos privatizar, desde que seja garantido o direito dos avareenses utilizarem de graça.. A empresa que assumir o parque de exposições para gerir o espaço e concluir o arenão em 2 anos, sem dinheiro público. E em todo mês de setembro deve ceder para festa de graça. Assim você não tem custo.

 

AC: Mesmo diante da crise, é possível fazer eventos para população?

MO: É possível fazer eventos com parcerias sem tirar R$ 1 do dinheiro público, da saúde e da educação. A empresa que assumir a gestão do parque de exposição vai assumir a manutenção, pagas as despesas, cobrar dos eventos e fazer eventos. O mês de setembro será dedicado para Prefeitura fazer eventos populares e gratuitos. Nós temos que copiar o modelo de Barretos, lá eles não tem R$ 1 do dinheiro público, são empresas que patrocinam. Então dá pra fazer sim, sem o dinheiro público.

 

AC: Sobre a Educação, detalhe sua proposta para esse setor.

MO: No primeiro semestre de 2017, nós vamos fazer um levantamento das obras emergenciais de todas as escolas e creches e depois de levantarmos as dificuldades físicas das escolas, vamos criar um plano de ação. Nós temos muitas escolas sem reformas há muitos anos, vamos criar uma equipe de manutenção para dar atenção às escolas e creches e manutenção periódica. A partir daí, com as escolas todas arrumadas, nós vamos ter um ambiente mais saudável. Também queremos agilizar a Fatec, para os nossos jovens, e priorizar a valorização do professor, chamando-o para conversar com frequência e participar das decisões do governo.

 

AC: Com relação aos cargos de confiança, você pretende manter um quadro de secretariado mais enxuto ou manter a estrutura da atual administração?

MO: Nós vamos mudar a forma de governar, com 10 secretarias no máximo. Por exemplo, turismo, indústria e comércio têm tudo a ver e até a agricultura, então juntar essas pastas. E também juntar planejamento, obras, transporte e habitação em uma só, além de criar uma assessoria especial para planejamento, transportes e também habitação. Vamos criar uma nova cultura de esporte, através da pasta de juventude, esporte e lazer, dando espaço para o jovem, criando uma secretaria da juventude. Por isso vamos precisar do apoio dos servidores concursados de carreira para ocupar esses cargos de confiança, cargos de chefia.

 

AC: Por que você quer ser prefeito de Avaré?

MO: Eu tenho experiência suficiente na gestão pública, são 15 anos de carreira política, conheço como funciona a Prefeitura, as secretarias. Fui secretário municipal, vereador por 2 mandatos, conheço a Câmara e a Prefeitura. Então eu tenho condições de fazer o melhor pela cidade, eu abracei essa missão como uma grande responsabilidade minha, estou preparado ser um prefeito arrojado que tem uma agenda participativa, aberta e quero fazer o melhor para Avaré. Eu conheço as dificuldades e os desafios, tenho propostas concretas realizáveis para mudar a forma de governar Avaré e melhorar a cidade, que é o sonho do avareense.

 

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