A Delegacia Seccional de Polícia de Avaré realizou uma coletiva de imprensa para apresentar informações sobre os recentes desdobramentos da investigação que apura a morte de Jennifer Eduarda da Cruz Blimblem, de 18 anos, encontrada morta em setembro de 2021, na área rural do município.
O caso voltou a ganhar destaque neste sábado (15), após a prisão temporária de dois dos três investigados apontados no curso das novas diligências.
De acordo com as informações apresentadas pela Polícia Civil, a investigação avançou após o recebimento de uma denúncia anônima, que levou os investigadores até três pessoas. Os suspeitos foram chamados para interrogatórios individuais e, durante os depoimentos, dois deles teriam admitido participação no crime.
Um dos aspectos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a motivação relatada durante os interrogatórios. Segundo a apuração, o crime teria sido praticado com o objetivo de experimentar a sensação de matar. Ainda conforme as informações apresentadas, um dos envolvidos teria cogitado a prática de violência sexual contra a vítima, mas o ato não chegou a ser concretizado.
Vítima teria sido escolhida aleatoriamente
A investigação aponta que Jennifer teria sido encontrada pelos suspeitos enquanto estava sozinha e consumindo bebida alcoólica em uma praça. Ela teria sido convidada a acompanhá-los até outra praça, na região central da cidade. Posteriormente, o grupo seguiu para uma área rural, onde ocorreu o homicídio.
Segundo a Polícia Civil, a vítima teria sido violentamente agredida com facadas, uma barra de ferro e um macaco mecânico, antes de morrer.
Após deixarem o local, os envolvidos teriam percebido que um deles havia esquecido os óculos. Antes de retornar, passaram por um posto de combustíveis para adquirir gasolina. De acordo com a investigação, ao voltarem ao local do crime, atearam fogo no corpo da vítima.
Vestígio inicialmente considerado relevante
Durante as primeiras investigações, os policiais encontraram fios de cabelo presos à cerca próxima ao local. Posteriormente, porém, exames periciais apontaram que o material não era de origem humana.
Durante os novos interrogatórios, uma das investigadas teria declarado que utilizava aplique de cabelo no dia do crime, informação que passou a ser considerada no contexto da investigação.
Pacto de sangue e novas provas
A apuração também revelou que os três investigados seriam um casal e um conhecido. Segundo a Polícia Civil, na época dos fatos, o casal teria realizado um pacto de sangue. A mulher chegou a procurar atendimento em um pronto-socorro em razão de um ferimento na mão, registro que, conforme informado pelos investigadores, foi confirmado pela unidade hospitalar.
Com a apreensão e análise de celulares e notebooks, a investigação também encontrou elementos considerados relevantes. Entre eles, estaria uma pesquisa realizada por um dos investigados em uma ferramenta de inteligência artificial, buscando informações sobre como se comportar durante um interrogatório policial.
Segundo a Polícia Civil, nenhum dos três investigados possuía antecedentes criminais.
Prisões temporárias
Até o momento, dois dos três investigados estão presos temporariamente pelo prazo de 30 dias. A investigação prossegue e, ao final das diligências, a Polícia Civil deverá encaminhar o procedimento às autoridades competentes para as providências cabíveis em relação aos três envolvidos.
As prisões são temporárias e os investigados ainda não foram definitivamente condenados, cabendo à Justiça analisar as provas produzidas durante a investigação.
Denúncia anônima foi fundamental
Durante a coletiva, a Polícia Civil reforçou a importância da participação da população por meio de denúncias, especialmente em casos que permanecem sem solução durante anos. Informações aparentemente pequenas podem se tornar decisivas quando cruzadas com provas técnicas, depoimentos e novos elementos obtidos durante a investigação.
O avanço do caso representa também o resultado de um trabalho contínuo de investigação e reanálise de informações, demonstrando que crimes antigos podem voltar a ser esclarecidos a partir do surgimento de novas evidências.
O Jornal A Comarca parabeniza os policiais da DIG de Avaré e todos os profissionais envolvidos na investigação pelo trabalho desenvolvido na busca por respostas para a família de Jennifer e pela elucidação de um crime que permanece marcado na memória da população de Avaré

