CidadeCulturaEspetáculo premiado de dança chega a Avaré com apresentação gratuita no dia 11 de novembro

“Carta para não mandar ou Cantiga interrompida”, da Confraria da Dança, aborda memória, envelhecimento e histórias familiares em turnê pelo estado de São Paulo
Reportagem4 de novembro de 20268 min
Foto: Reprodução/SECOM

O espetáculo “Carta para não mandar ou Cantiga interrompida”, da companhia Confraria da Dança, será apresentado em Avaré no dia 11 de novembro, às 19h30, no Centro Cultural Esther Pires Novaes. A entrada é gratuita.

Com mais de duas décadas de trajetória e apresentações em 42 cidades brasileiras, a montagem combina dança e literatura para abordar temas como memória, passagem do tempo, envelhecimento e relações familiares. A obra é um solo interpretado e criado por Diane Ichimaru, que transformou lembranças pessoais em uma criação artística.

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Estreado em 2004, o espetáculo teve origem em uma recordação familiar: um antigo vestido que pertenceu à avó materna da artista. A peça, guardada por anos, despertou lembranças da convivência entre as duas e serviu como ponto de partida para a construção da dramaturgia.

Durante o processo criativo, as experiências relacionadas ao envelhecimento e às condições de saúde enfrentadas pela avó, que conviveu com Parkinson e demência nos últimos anos de vida, também passaram a integrar a narrativa. No palco, essas memórias são exploradas por meio do movimento, da palavra e de elementos cênicos.

Um vestido e um banco de madeira compõem o cenário e assumem diferentes significados ao longo da apresentação, acompanhando a personagem em uma trajetória marcada por lembranças, silêncios e transformações. A trilha sonora original é composta e executada ao piano por Rafael dos Santos.

O envelhecimento como parte da criação artística

Um dos aspectos abordados pela montagem é a relação entre o corpo e o envelhecimento. Aos 61 anos, Diane Ichimaru continua interpretando o solo, incorporando as transformações físicas e as experiências acumuladas ao longo do tempo à construção artística.

Segundo a bailarina, revisitar a obra permite encontrar novas possibilidades de interpretação a partir das mudanças vividas ao longo dos anos.

“Revisitar esta obra durante tantos anos aviva as memórias acumuladas no corpo, me faz encontrar novos sentidos e poéticas com o passar do tempo. Assim como nós, a dança amadurece e se transforma”, afirma Diane.

Trajetória e reconhecimento

Desde a estreia, em 2004, “Carta para não mandar ou Cantiga interrompida” passou por 42 cidades brasileiras e contabilizou 82 apresentações presenciais entre 2004 e 2024.

Ao longo de sua trajetória, a montagem participou de festivais e projetos de circulação cultural, como a Caravana FUNARTE Petrobras de Circulação Nacional, em 2007; o Palco Giratório SESC Nacional, em 2008; o Festival do Instituto de Artes da Unicamp (FEIA), também em 2008; e o Prêmio FUNARTE de Dança Klauss Vianna, em 2009.

A obra também integrou o edital ProAC de Circulação e a Virada Cultural Paulista, em 2011, além do Festival de Dança de Londrina, em 2015.

Em 2022, o espetáculo ganhou uma adaptação audiovisual por meio do projeto #CulturaEmCasa, viabilizado pelo Edital ProAC 6/2021. Em 2024, voltou a circular pelo estado de São Paulo por meio de edital de difusão cultural da Lei Paulo Gustavo.

Projeto prevê apresentações e atividades de formação

A passagem por Avaré integra o projeto “Carta em Circulação”, que prevê 12 apresentações gratuitas em nove municípios de seis regiões administrativas do estado de São Paulo.

Além das apresentações, a iniciativa contempla atividades de mediação artística e a vivência gratuita “Dança – Poesia da Incompletude”, voltada a pessoas maduras interessadas em dança e processos criativos. A proposta também busca ampliar o contato de diferentes gerações com a linguagem da dança.

O projeto conta com recursos do Governo Federal, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), e do Governo do Estado de São Paulo, pela Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, no âmbito do Fomento CultSP – Edital CultSP PNAB 19/2025, destinado à produção e manutenção de projetos culturais na indústria criativa por pessoas com 60 anos ou mais.

Sobre a Confraria da Dança

Fundada em Campinas, em 1996, por Diane Ichimaru e Marcelo Rodrigues, a Confraria da Dança completa 30 anos de atividades em 2026. O grupo desenvolve trabalhos autorais que integram dança, teatro, música, literatura e artes visuais, com apresentações em diferentes regiões do país.

A apresentação em Avaré será no dia 11 de novembro, às 19h30, no Centro Cultural Esther Pires Novaes, com entrada gratuita.

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