O que começou como uma oportunidade de recuperar o sorriso terminou em frustração para dezenas de moradores de Bernardino de Campos. Cerca de 143 pessoas iniciaram tratamentos de implantes dentários após a promessa de gratuidade, mas acabaram surpreendidas com cobranças que chegaram a ultrapassar R$ 10 mil.
A oferta foi feita no início de 2025, divulgada nas redes sociais oficiais da Prefeitura e atraiu principalmente moradores de baixa renda. Muitos iniciaram rapidamente os procedimentos, que incluíram extrações dentárias e colocação de pinos, etapas essenciais para a implantação das próteses.
Após os primeiros procedimentos, realizados sem custo, os pacientes foram informados pela faculdade responsável pelos implantes de que precisariam pagar para seguir com o tratamento. Os valores variaram de R$ 2 mil, chegando a cifras superiores a R$ 10 mil.
PREJUÍZO PODE ULTRAPASSAR R$ 400 MIL – Levantamento parcial indica que apenas 12 pacientes somam mais de R$ 90 mil em cobranças. Considerando o total de pessoas afetadas, o prejuízo estimado pode ultrapassar R$ 400 mil.
Para muitos, no entanto, o maior impacto não foi financeiro. Sem condições de arcar com os valores, diversos moradores interromperam o tratamento no meio do processo. Isso gerou uma situação crítica: pacientes que passaram por extrações dentárias ficaram sem a finalização dos implantes.
As consequências, de acordo com relatos, são dificuldade para se alimentar, problemas na fala, constrangimento social e abalo psicológico. Em alguns casos, há relatos de pessoas que perderam toda a arcada dentária e hoje aguardam uma solução.
Em ações diversas ajuizadas recentemente, pacientes afirmam que aderiram ao tratamento confiando na promessa de gratuidade. Alguns estariam sendo cobrados extrajudicialmente pela faculdade.
Segundo documentos do caso, orçamentos iniciais chegaram a indicar valor zero, reforçando essa percepção.
Um dos exemplos apresentados no processo ilustra a controvérsia envolvendo os valores cobrados ao longo do tratamento. Em 29 de janeiro de 2025, no início do atendimento, a paciente recebeu um recibo com valor zerado. Já em 04 de junho de 2025, foi apresentado um novo documento com cobrança de R$ 1.150,00
Posteriormente, em 06 de outubro de 2025, foram emitidos três recibos, nos valores de: R$ 9.130,00; R$ 3.930,00 e R$ 4.430,00. Diante da evolução dos valores, a moradora relata nos autos que se viu “obrigada a desistir do tratamento”, alegando não ter condições de arcar com os custos apresentados.
Todos os recibos estão anexados em uma ação civil ajuizada pela Prefeitura de Bernardino contra a faculdade. O caso também foi levado ao Ministério Público.
OUTRO LADO – A reportagem entrou em contato pelos canais disponibilizados pela faculdade em seu site oficial. Seguimos aguardando o posicionamento da mesma sobre o caso.

