DestaqueGeralPolíciaDIG de Avaré prende suspeito de comandar esquema de estelionatos contra empresas têxteis

Operação "Comprador Fantasma" cumpriu mandados em três cidades, apreendeu dinheiro, eletrônicos e centenas de toalhas de mesa; prejuízo causado às vítimas já ultrapassa R$ 100 mil
Reportagem22 de julho de 20266 min

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Avaré prendeu preventivamente, na manhã desta quarta-feira (22), um homem de 65 anos apontado como o principal responsável por um esquema de estelionatos que utilizava identidades de empresas do setor têxtil para aplicar golpes em fornecedores de diferentes estados.

A prisão ocorreu durante a Operação “Comprador Fantasma”, que também cumpriu mandados de busca e apreensão nas cidades de Santa Bárbara d’Oeste, Americana e Ibitinga. Durante as diligências, os policiais apreenderam R$ 9.089 em dinheiro, aparelhos eletrônicos, documentos, cartões bancários, dispositivos de armazenamento de dados e centenas de toalhas de mesa que podem ter ligação com os crimes investigados.

As investigações foram conduzidas pela DIG de Avaré ao longo de aproximadamente quatro meses, após uma empresa do município descobrir que sua identidade havia sido utilizada por criminosos para realizar compras fraudulentas de mercadorias. O golpe veio à tona somente semanas depois, quando fornecedores passaram a cobrar produtos que nunca haviam sido adquiridos pela empresa.

Com a instauração do inquérito, a Polícia Civil identificou uma organização criminosa especializada em fraudes empresariais. Segundo a investigação, o grupo utilizava dados de empresas legítimas para negociar compras de alto valor junto a fornecedores, determinando a entrega das mercadorias em endereços previamente definidos. Na sequência, os produtos eram encaminhados a receptadores, principalmente na cidade de Ibitinga, onde eram revendidos.

A análise de equipamentos e dados telemáticos revelou que os investigados pesquisavam empresas do ramo têxtil em diversos estados, consultavam cadastros empresariais, mantinham contatos comerciais e planejavam a logística para retirada e transporte das mercadorias, evidenciando uma atuação estruturada e de alcance interestadual.

O homem preso foi identificado por meio do cruzamento de diversas provas técnicas produzidas durante a investigação. Conforme a Polícia Civil, ele possui antecedentes por crimes semelhantes, já havia sido preso em flagrante pela prática de estelionato e utilizava tornozeleira eletrônica por determinação judicial.

No imóvel onde foi localizado, em Santa Bárbara d’Oeste, foram apreendidos um notebook, quatro celulares, documentos, cadernos com anotações, cartões bancários, chips telefônicos, dispositivos de armazenamento de dados e R$ 9.089 em espécie.

Já em Ibitinga, os policiais localizaram centenas de toalhas de mesa relacionadas ao esquema investigado. Todo o material recolhido será submetido à perícia para auxiliar na identificação de outros integrantes da organização criminosa, rastrear o destino das mercadorias e ampliar o conjunto de provas.

De acordo com a Polícia Civil, os prejuízos já identificados ultrapassam R$ 100 mil, atingindo empresas dos estados de São Paulo e Minas Gerais, sem descartar o surgimento de novas vítimas à medida que as investigações avançam.

O suspeito permaneceu preso à disposição da Justiça e aguardará audiência de custódia. As investigações continuam para identificar e responsabilizar todos os envolvidos no esquema criminoso.

A Operação “Comprador Fantasma” contou com o apoio de equipes das Polícias Civis de Santa Bárbara d’Oeste e Ibitinga, que atuaram de forma integrada no cumprimento simultâneo das ordens judiciais.

Segundo o delegado Adriano Leite de Assis, titular da DIG de Avaré, a prisão representa um importante avanço nas investigações.

“A investigação demonstrou a existência de uma estrutura criminosa organizada e voltada à prática reiterada de fraudes contra empresas. A prisão do principal investigado e a apreensão dos materiais permitirão aprofundar as apurações, identificar todos os envolvidos e reunir elementos para a completa responsabilização penal dos integrantes do esquema”, afirmou.

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