Moradores de Avaré relataram, na última semana, dificuldades para conseguir consultas médicas na rede pública de saúde. Uma das reclamações envolve a falta de vagas para atendimento ainda neste ano na unidade de saúde do Jardim Paraíso, onde um aviso afixado na porta informa que as vagas para consultas de 2026 estão esgotadas.
A situação também foi relatada nas redes sociais. Em uma das publicações, um munícipe afirmou que, mesmo apresentando febre alta, não conseguiu atendimento na unidade de saúde de seu bairro e foi orientado a procurar o Pronto-Socorro.
As reclamações surgem poucos dias após uma declaração do prefeito durante o desfile cívico em comemoração aos 165 anos de Avaré, realizado no dia 15 de setembro. Em entrevista à Record, o chefe do Executivo afirmou que o município teria “saúde de primeiro mundo” e declarou que não haveria mais problemas relacionados à falta de medicamentos, mencionando a existência de “remédios em abundância”.
Demandas na Câmara
As dificuldades relacionadas ao atendimento na rede municipal de saúde também estiveram entre os assuntos discutidos na sessão ordinária da Câmara Municipal realizada na segunda-feira (21).
Entre as solicitações apresentadas pelos vereadores está a possibilidade de entrega de medicamentos em domicílio, especialmente para pacientes idosos, como forma de evitar deslocamentos e filas nas unidades de saúde.
Também foi solicitada a criação de uma ala infantil no Pronto-Socorro, além de informações sobre a disponibilidade de suplementos destinados a pacientes com doença renal crônica que realizam hemodiálise.
Outro pedido apresentado no Legislativo trata da oferta de médicos especialistas em ginecologia e obstetrícia na rede municipal. Também houve a solicitação de informações sobre o atendimento na UBS Antônio Luiz Soares Noronha, no bairro Ipiranga, incluindo o tempo de espera para consultas médicas, o número de profissionais que atuam na unidade e a carga horária dos médicos.
Projeto para divulgar filas foi vetado em 2025
A discussão sobre o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos médicos não é nova na Câmara de Avaré. Em 2025, a vereadora Adalgisa Ward (Podemos) apresentou o Projeto de Lei nº 130/2025, que previa a divulgação das filas de espera da rede pública municipal de saúde. A proposta determinava a publicação de informações sobre consultas, exames e procedimentos, incluindo a posição individual do paciente por meio de código que preservasse sua identidade.
O projeto foi aprovado por unanimidade pelos vereadores presentes na votação de 30 de junho de 2025, com 11 votos favoráveis. Posteriormente, porém, o prefeito Roberto Araujo apresentou veto total à proposta.
O veto foi analisado pela Câmara na sessão de 25 de agosto de 2025. Na ocasião, a votação terminou em 6 votos pela derrubada do veto e 5 pela manutenção. Embora tenham formado maioria entre os vereadores que votaram, não foram suficientes para alcançar a maioria absoluta exigida, de pelo menos 7 votos, necessária para rejeitar o veto do prefeito. Votaram pela derrubada Adalgisa Ward, Francisco Barreto de Monte Neto, Hidalgo André de Freitas, Leonardo Pires Ripoli, Luiz Cláudio da Costa e Maria Isabel Dadário. Pela manutenção do veto votaram Ana Paula Tiburcio de Godoy, Everton Machado, Jairo Alves de Azevedo, Moacir Lima e Pedro Fusco. Samuel Paes não votou.
Durante a discussão, segundo os argumentos apresentados em plenário, Moacir Lima afirmou que os procedimentos da Saúde ainda eram realizados de forma predominantemente manual e que não haveria estrutura digital suficiente para colocar a proposta em funcionamento. O vereador também mencionou a possibilidade de pacientes serem encaixados em razão de situações de urgência, o que poderia alterar a ordem inicialmente estabelecida e gerar questionamentos.
Na ocasião, Moacir classificou a proposta como “sensacional”, mas afirmou que o município “não está preparado para isso ainda” e citou falta de “viabilidade técnica”. Pedro Fusco, por sua vez, afirmou durante a discussão que tinha certeza de que, se o projeto fosse apresentado “no ano que vem ou no outro”, seria aprovado.
A proposta, no entanto, permanece registrada como vetada no sistema legislativo municipal.
Discussão volta ao centro do debate
A retomada do tema ocorre justamente em um momento em que moradores relatam dificuldades para conseguir consultas e vereadores voltam a solicitar informações sobre filas, atendimento e estrutura da rede municipal.
Em junho deste ano, inclusive, a Câmara aprovou requerimento (Nº 452/2026) solicitando à Prefeitura informações sobre a atual fila de espera para consultas com especialistas, exames e procedimentos cirúrgicos na rede pública municipal. O requerimento foi apresentado conjuntamente por todos os vereadores.
Os episódios colocam novamente em discussão o acesso da população às informações sobre a demanda da rede pública e o tempo necessário para conseguir atendimento, especialmente diante dos relatos recentes de unidades sem vagas para consultas ainda em 2026.

